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Frei Paulo Cantanheide

A grande contribuição que a tradição cultural judaico-cristã e o cristianismo, enquanto religião, podem dar para a vida da humanidade é a consciência de que uma autêntica experiência de Deus não pode acontecer desconectada da atitude ética e da prática da Justiça.

No Primeiro testamento, Moises, na condição de representante do povo, realiza uma aliança com Deus, onde os dois primeiros mandamentos são voltados para a fidelidade e respeito ao nome de Deus e os outros oito procuram garantir o respeito à dignidade e à integridade das outras pessoas diante da fúria de nosso egoísmo pessoal.

Nos Evangelhos, ao ser interrogado pelos Fariseus a cerca dos mandamentos, Jesus os resumem em dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22, 34 - 40). Para Jesus a vivencia do amor divino não se reduz a mero sentimento ou gesto de piedade religiosa, trata-se de atitude em relação ao outro que sofre e padece, pois o amor a Deus e traduzido por atos concretos de amor ao próximo.

No capítulo 4 da primeira carta de São João encontramos um trocadilho que nos mostra como os cristãos dos primeiros séculos levavam a sério essa encarnação do amor de Deus na relação com o próximo.

Se alguém diz: "Eu amo a Deus" e, no entanto, odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a que não vê? É este precisamente o mandamento que d'Ele recebemos: quem ama Deus, ame também o seu irmão. (1João 4, 20-21)

De modo geral as pessoas procuram as religiões em busca de um futuro melhor, nas religiões bíblicas (cristianismo e Judaísmo) essa expectativa é vivenciada na esperança por libertação e salvação, a primeira almejada ainda nesse mundo e a segunda na vida eterna.

Na tradição cristã o povo sempre recorreu a Deus a fim de se libertar das diversas formas de escravidões que existem nesse mundo, tais como, a opressão social, as doenças, os demônios, os vícios e todos os tormentos que afetam a harmonia da vida. Da mesma forma sempre esteve presente em suas preces as suplicas pedindo salvação da morte eterna.

O Evangelista Mateus, na praticidade de seu Evangelho, deixa claro que só no ato concreto do amor conseguiremos unir libertação e salvação. Ele nos apresenta uma visão de juízo final onde a Libertação, a Salvação, a condenação e o castigo são conseqüência da presença ou da ausência, na nossa vida e no mundo, de um amor que cuida, acolhe, perdoa, visita e trata bem as criaturas mais sofridas.

E diante dele serão reunidas todas as nações; e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.

Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.

Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. (Mt 25, 32-45)

Percebemos, portanto, que em Mateus o mesmo ato que liberta do sofrimento, da solidão e do abandono neste mundo, garante uma vida feliz na eternidade. Deus pede que nos libertemos mutuamente para que ele possa salvar a todos. Mas do que nunca precisamos pensar Libertação e Salvação como um trabalho em mutirão que requer a participação de todos

Mateus não se vale de um código de conduta moral para apresentar os critérios da salvação de Deus. É a nossa própria capacidade de interação e ajuda mútua que atrai a ação salvifica de Deus para o mundo em que vivemos. Mas de que buscar a própria salvação individual precisamos nos comprometer com a libertação dos que padecem nas escravidões desse mundo, a fim de que todos possam ser salvos. Hoje, isso vale tanto para as nossas relações interpessoais como para a nossa relação com o meio-ambiente, pois, ou o ser humano liberta os demais seres da criação do efeito predatório da cultura consumista do tempo presente ou o gênero humano perecerá juntamente com toda a natureza criada a salvação vem de Deus, mas o responsáveis pela condenação e o castigo somos nós mesmos. Que o Senhor nos conceda a santa sabedoria de aliar o processo de busca da nossa salvação à libertação das demais criaturas.

 




Last Updated (Tuesday, 31 August 2010 22:17)

 

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