Notice: Undefined variable: options in /home/u465804285/public_html/plugins/system/bot_speedy.php on line 126
Notícias e Artigos
Banner

Notícias e Artigos

BASTA DE CINISMO

Mensagem do escritor Agassiz Almeida ao Ministro da Defesa Nelson Jobim

O que carrega esta mensagem dirigida a V. Excia? Indignação e vergonha.

No mês passado, na ocasião em que visitava a Universidade Complutense de Madri, tomei conhecimento da noticia, com ampla repercussão na Europa, que o Brasil fora condenado pela ONU e a OEA - Organização dos Estados Americanos, como país conivente com crimes de lesa-humanidade praticados durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Parece que aqueles ontens de 1987, quando juntos estivemos nos proscênios da Assembleia Nacional Constituinte, chegam aos dias de hoje e nos interrogam: Senhor ministro, qual é o seu papel na cena atual à frente do Ministério da Defesa?

O que assistimos? Um falastrão a desandar num enorme contrassenso.

Enquanto V. Excia procura aparelhar as Forças Armadas com alta tecnologia, queda-se atrelado a uma retrógada e superada mentalidade necrosada nas décadas de 50 e 60 do século passado.

Dispa-se, senhor ministro, da pavonice em se vestir de general em combate e empreenda a verdadeira e autêntica guerra: abra os arquivos da repressão à História para que o povo brasileiro se orgulhe daqueles que resistiram à tirania militar.

Queremos reencontrar os passos das gerações de 60 e 70 do século passado, cuja inquietude e arrebatado fervor as fizeram intimoratas nas porfias.

Oh, gerações de sonhadores! Elas mergulhavam em todos os abismos, tanto nos que arrastavam ao bem como aqueles que levavam ao ignoto.

Oferecemos na nossa juventude a paixão pelas grandes causas e pagamos às forças ditatoriais o tributo de graves adversidades. Na tarde crepuscular de nossas vidas, não nos movem propósitos subalternos e inconfessáveis.

Como retratar Nelson Jobim a quem dirijo esta mensagem?

O constituinte de 1988, com quem convivi como sub-relator na Assembleia Nacional Constituinte, ou o atual ministro da Defesa de 2011? Vulto camaleônico de todas as situações. Altamente inteligente, com um forte poder de persuasão. Sabe joguetear com os homens e os fatos, evitando sempre afrontar interesses de forças poderosas. Um Fouché dos novos tempos.

Que exímio prestidigitador!

Quando apresentei, juntamente com outros constituintes, emenda à Assembleia Nacional Constituinte criando o ministério da Defesa, V. Excia, após ouvir o general Leônidas Pires, negaceou a constituição deste ministério. Quando encaminhei emenda tipificando a tortura como crime de lesa-humanidade, hoje texto constitucional, imprescritível e não passível de anistia ou indulto, qual a sua posição àquela época e hoje? Postura de atrelamento a um grupo de militares, cuja visão petrificou-se nas primeiras décadas do século XX, sob os passos ideológicos da escola militar alemã.

As forças vivas da Nação, as novas gerações, os jovens comandantes militares não podem ser condenados a esta mordaça com a qual se pretende vedar o processo dialético do país.

O que falam os retardatários da história? Que a Comissão Nacional da Verdade, projeto que tramita no Congresso Nacional, é um revanchismo.

Basta de ressuscitar este falso maniqueísmo. O homem do século XXI globalizou a sua visão. Só os animalizados a carregar viseiras quedam-se ultrapassados por sentimentos doentios. Heróis e valentes de suas proezas. Infortunados Sanchos Panças, vivem a procura do primeiro Dom Quixote.

Numa interface, ponhamos os olhares nas gerações de 60 e 70 do século passado. Juvenis personagens, eles se moviam num quadro utópico de sonhos...

Oh, gerações de arrebatadores ideais!

Contra uma juventude inteligente a ditadura dos porões desencadeou sinistra perseguição e monstruosos crimes.

Onde estava e quem carregava aquele imenso sonho? Estava na ofensiva vietnamita do TED contra as poderosas forças do império norte-americano; estava na rebelião dos negros nos EUA; sonhava na insurgência estudantil no maio francês; estava nas Ligas Camponesas do Nordeste do Brasil; estava, afinal, – e aí ela foi magnânima porque se imolou contra uma feroz ditadura militar - no Araguaia. Oh, juventude! Como construístes com sangue o direito da humanidade caminhar e não ser escrava de tiranos. Que epopeia de heroísmo escrevestes!

Há um quê de martirológico na resistência do Araguaia.

Assombra-me a imperiosa construção de coragem daquele templo de luta erguido em plena selva amazônica.

Desconhecem os tipos abjetos da história que a mocidade tem por fanal o infinito. Há uma truculência atrevida e medíocre que tenta deter o caminhar das gerações. Ela rosna no seu passado oprobrioso e teme os clarões da verdade e da justiça.

Estão aí os sonâmbulos da ditadura militar a berrar em ecos vindos dos porões da tortura: Não! Não! A Comissão da Verdade é um revanchismo!

O mundo está carregado desses vultos. Eles renegam o heroísmo, a virtude e as grandezas: A Sócrates impuseram a cicuta; a Cristo a crucificação no madeiro; a César apunhalaram no Senado; Dante amargou o pó salinoso do desterro; Bonaparte a solidão melancólica em Santa Helena; Carlos Lamarca a execução covarde nos confins da Bahia; Pedro Fazendeiro o seqüestro e desaparecimento do seu corpo; João Pedro Teixeira “cabra marcado para morrer;” à juventude heróica do Araguaia, a tortura e o desaparecimento infame dos seus corpos.

Basta de cinismo! Rompa-se este embuste que engolfa o povo brasileiro. Abram-se os arquivos trevosos da tirania militar, para que não se desate na vida da nação um abismo sobre o qual paire um silêncio eterno.

Despeço-me de V. Excia e, ao mesmo tempo, dirijo-lhe este apelo: Fuja do autorretrato de se fazer um Francisco Campos redivivo, este infeliz jurista subserviente à ditadura Vargas.

Saudações históricas do povo brasileiro.

Agassiz Almeida

Agassiz Almeida, deputado constituinte de 1988. Um dos autores de emendas à Assembleia Nacional Constituinte que criou o Ministério de Defesa e tipificou a tortura como crime imprescritível e não passível de anistia ou indulto. Escritor do grupo Editorial Record. Autor destes clássicos da literatura brasileira: A República das elites e A Ditadura dos generais. Promotor de Justiça aposentado.

Last Updated (Sunday, 03 July 2011 10:30)

 

Os pais e o risco das gangues juvenis

O que é uma "gangue"?

A expressão "gangue" usa-se normalmente para designar um grupo de adolescentes ou jovens que se comportam de modo anormal, podendo chegar à violência e ao crime. Assim como as "amizades particulares" são mais freqüentes e intensas nas moças, as gangues adolescentes ou juvenis são um fenômeno masculino. Há gangues de moças, mas não passam de cerca de três a cinco por cento do total.
A UNESCO dispõe de uma estatística que analisa a composição das gangues por idades: 7% estão integradas por garotos menores de doze anos; 15% por adolescentes de doze a catorze anos; 38% têm membros de catorze a dezesseis anos; e 40% estão compostas por jovens de dezoito anos ou mais [1].


Embora o fenômeno afete de modo predominante os jovens (daí a sua denominação de gangues juvenis), chama no entanto a atenção que existam gangues delinqüentes já na pré-adolescência. Essa precocidade na conduta criminosa ou anti-social intencional e organizada vem crescendo na sociedade atual, a ponto de surgirem cada vez mais casos na terceira infância ou idade escolar, o que parece estar relacionado com as deficiências que se verificam em alguns ambientes familiares e sociais, como veremos.


Esse tipo de gangues é mais freqüente entre as classes sociais de baixa renda e nas zonas periféricas dos grandes centros urbanos, embora o problema não seja exclusivo desses setores. Cada vez há mais rapazes das classes média e alta entre os seus integrantes.
A gangue juvenil delinqüente corresponde a um desvio de direção da turma adolescente normal. Vimos acima que os adolescentes têm necessidade de formar grupos e que estes grupos são não apenas inofensivos, mas têm uma autêntica e necessária função educativa. Essa turma adolescente desvia-se de seu rumo normal quando os seus integrantes sofrem de certos problemas de personalidade, fomentados muitas vezes por erros na vida familiar e por estímulos negativos do ambiente atual.


Cada vez é menos válida, infelizmente, a afirmação de que as gangues juvenis são um fenômeno excepcional ou raro. Hoje em dia, todas as famílias estão expostas (em maior ou menor grau) a que algum dos filhos chegue a fazer parte de uma dessas gangues. Remplein afirma que "entre a forma de vida de uma turma de jovens normal e a que tem caráter criminoso há apenas um passo" [2].
À primeira vista, causa surpresa verificar que a adaptação à vida grupal é muito mais forte nas turmas anti-sociais do que nas turmas normais de adolescentes. Ao passo que o adolescente normal mantém certa distância na sua identificação com o grupo, o adolescente que pertence a uma gangue adapta-se inteiramente a uma vida que exige obediência cega. Não é paradoxal que jovens socialmente inadaptados se adaptem perfeitamente às rígidas normas dos bandos juvenis?
A explicação é bem simples. Acontece que, para o adolescente "normal", a vida dentro do grupo de amigos é somente uma fase transitória da sua evolução, que visa a autonomia pessoal, ao passo que a gangue representa o ponto de chegada para o adolescente que sofre de alguma frustração grave [3].


Inicialmente, a gangue juvenil é um agrupamento espontâneo. Mas em breve estrutura-se de forma completa. Surge um líder que manda e produz-se uma divisão de trabalho de acordo com as capacidades de cada membro: o "cérebro", que proporciona idéias ao líder; o "palhaço", que diverte todo o grupo, etc.; e aparecem também os elementos ou sinais que conferem à gangue uma personalidade própria, como o "quartel general", a "gíria secreta", etc. A gangue juvenil apresenta-se como um grupo muito fechado, com extrema continuidade, organização e disciplina. A solidariedade entre os seus membros é muito maior do que nos agrupamentos "normais", porque isso é fundamental para conseguir "êxito", uma vez que "a força da turma patológica reside na sua extrema unidade: o bando funciona como um só homem" [4].


Outra diferença com relação às turmas normais consiste nos motivos e circunstâncias que favorecem a coesão do grupo. Os membros da turma unem-se e ajudam-se mutuamente para realizar pacificamente atividades normais, como acampamentos, excursões, etc., e para compartilhar problemas normais, próprios da idade. Os componentes de uma gangue, pelo contrário, agrupam-se porque têm problemas especiais; o grupo passa a ser um refúgio para as frustrações pessoais e nasce com uma finalidade criminosa.
Pode-se dizer, via de regra, que a gangue juvenil é formada por rapazes que se encontram em conflito com os outros, sejam eles pais, companheiros de es tudo, adultos em geral; mas, por sua vez, o bando inteiro está em conflito permanente com outros grupos ou gangues.


O líder ou cabecilha da gangue é uma peça-chave. É graças a ele que se mantém a unidade do grupo e a sua capacidade operativa. O líder "sugere aos membros a realização de atos que, no fundo, desejavam executar, mas a que não se atreviam por medo à sociedade ou às normas morais. Graças ao papel do cabeça, os seus companheiros chegam a satisfazer os seus desejos, enganando a voz da sua consciência e a oposição dos adultos" [5].
O líder precisa identificar-se com as insatisfações dos seus companheiros, falar-lhes na linguagem que dele esperam, dar vazão à agressividade que acumularam e tranqüilizá-los nos momentos difíceis. Exerce uma autoridade despótica à qual todos se submetem, e assim pode impor-se sem discussão e evitar possíveis rebeldias e dissidências que poriam em perigo a existência do grupo e a consecução dos seus objetivos. A sua autoridade emana tanto do fato de ser um líder natural, como da situação de perigo em que o grupo vive quase continuamente.


O líder da gangue juvenil possui qualidades especiais para a ação, superiores às dos restantes membros do grupo. Precisa ser decidido, rápido e enérgico. O seu traço principal é a ousadia: "Vai aonde os outros temem ir. É audaz diante do perigo. Caminha sempre à frente, e os outros sentem-se seguros na sua companhia, com a sua presença" [6].

 

[1] Cfr. J. M. Quintana Cabanas, Pedagogia social, n. 3, UNED, pág. 50.
[2] M. Remplein, Tratado de psicologia evolutiva, pág. 457.
[3] Cfr. B. Reymond-Rivier, EI desarrollo social del nino y del adolescente, pág. 249.
[4] Ibid., pág. 256.
[5] J. M. Quintana Cabanas, Pedagogia social, pág. 159.
[6] Ibid, pág. 159.

Fonte: Portal da Família, por Gerardo Castillo.
Link: http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo310.shtml
Foto: nonuba.com.br

Last Updated (Thursday, 10 February 2011 17:47)

 

Minha Cidade

Abner de Amur

As pessoas assentadas com cadeiras pelas calçadas, às sombras dos oitizeiros. Os burrinhos com suas bruacas carregadas de mercadoria junto ao mercado... Aah! O mercado, como era grande o mercado! Ou não? Ou era minha imaginação? Centenas de cavalos, burros cargueiros suprindo a velha cidade. Ali se vendia de tudo, vinham de longe... Crixás, Pilar, Mouqem, Traíras, traziam rapaduras, arroz pilado no monjolo, açúcar de barro, farinha e polvilho. Traziam de tudo para vender: tecidos, remédios, sapatos para as moças, botinas para os homens.

Os dias longos e quentes. Os anos? Maiores ainda. À tarde, a meninada corria aos riachos para se refrescarem... Poço do Bispo, Mandobeira, Cambaúba, Bacalhau, Bagagem.

_ Mariiia, Mariiiia, lá vem chuva no morro, já está branquinho, corra! Recolha as roupas no varal!

Era sempre assim a previsão do tempo. Era o mesmo Canta Galo, morro contra-forte da Serra Dourada. Arroz com pequi, suco de caju... e morena feiticeira das pernas grossas de tanto subir as ladeiras. Roberto fogueteiro era a alegria da meninada, fazia bonecos de Judas para queimar.

Os sinos blém, blém, blém... Tangiam para conversar com o povo. Anunciavam festas, missas, alertas, mortes. Sinos de som grosso, morreu um homem; de sons médios, mulheres; de sons finos foi um anjinho que foi chamado para o céu. Mas o que mais os sinos sabiam fazer era chamar os homens para as festas... Festa do Divino,  Festa da Abadia, Santa Bárbara, Santa Luzia, Santa Cecília. Era uma por semana...  Ou uma por dia? Penso que eram tantas porque não havia nada para se fazer.

O pequeno rio servia de espelho para a lua vir, se enfeitar e as noites seduzir. Os menestréis pegavam seus instrumentos, violões e violinos e pelos becos de pedra cantavam para as suas amadas e iam, pela madrugada, quando o calor dava um tempo: os galos cantavam suas melodias, mas a cidade preguiçosa, não despertava.

O alvorecer era sempre feito aos gritos... Bolo de arroz:

_ Olha o bolo de arroizi, alfenis...

Bolo de mandioca, pirulito e empadinhas. Apregoavam os vendedores com o despertar mais delicioso que se conhece. À tarde, a meninada tinha tempo para brincar... Brincadeira de roda, soltar arraia, bola, esconde-esconde, doces e verdes quintais, altos muros, altos morros, altíssima serra de ouro por onde passa a estrada que levou a capital.

O automóvel pela primeira vez foi chamado de DRAGÃO!!! Soltando dois jatos de fogo com seus faróis. Procissões, fogueira de São João, enchentes... Até parece que foram as enchentes que levaram aqueles tempos embora... Tempos jovens, tempos doces como alfenis, que se derretem nas águas do tempo e que se encontram escondidos como fragmentos lá no fundo da minha já fraca memória.

Last Updated (Wednesday, 12 January 2011 15:32)

 
TV Cultura: a saga de desmonte do patrimônio público


Trabalhadores da TV Cultura vivem dias de tensão na emissora sob ameaça de demissões, enquanto o bem público segue servindo ao privado em São Paulo

Por Débora Prado

Os funcionários da TV Cultura estão preocupados. Não é para menos. Há anos não recebem um reajuste real no salário, nem hora extra, as denúncias de assedio moral são recorrentes e cada vez mais a carteira assinada é substituída pelo famoso PJ (quando o funcionário é obrigado a se tornar uma ‘pessoa jurídica’ para que num contrato entre ‘empresas’, o patrão não precise arcar com os direitos trabalhistas). Para piorar, no começo do mês, o colunista do R7 Daniel Castro afirmou que a direção da emissora prepara uma reestruturação que deve gerar mais de mil demissões.

Os rumores consternaram e não é para menos. Embora não haja nenhuma confirmação dos cortes, o economista João Sayad – a frente da presidência da Fundação Padre Anchieta - também não afirma que os empregos serão mantidos. A precarização das condições trabalhistas é crescente e, pior, é apenas um dos braços do desmonte e desvio da emissora, que deveria ser um bem público paulista.

Sayad fala somente em uma ‘reestruturação de conteúdo’ e em enxugar o orçamento. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no dia 9 de agosto, disse que a grade da televisão está sendo estudada e haverá repercussões. Em reunião com o Conselho da emissora, falou em abrir o espaço para “produções independentes”.

Está armado o golpe. Com o PSDB há 20 anos a frente do governo estadual em São Paulo, acontece na cultura o que já aconteceu em várias outras áreas: a administração promove o desmonte de um bem público e depois o acusa de ineficiência para privatizar.

O discurso é frágil e baseado em premissas generalistas. Por exemplo, a emissora pode não custar tão caro quanto ele diz. Um dos funcionários fez uma conta simples e apresentou na última assembleia: a partir de um DVD institucional comemorativo calculou que, nos 41 anos de vida da emissora, ela recebeu, em média, R$ 87 milhões (valores atualizados) por ano. O montante, dividido pelos cerca de 40 milhões de habitantes do Estado, resulta na pouco substanciosa cifra de R$ 2,18. Ou seja, a emissora custa ao contribuinte menos de três reais POR ANO.

A TV Cultura já não produz nenhum programa infantil, área bem reconhecida por grande parte do público. A programação para jovens e adolescentes também está sendo atacada. Já acabaram com as gravações do Teatro Rá Tim Bum, Cocoríco, Pé na Rua e Cambalhota. O próximo alvo deve ser o Login, que, segundo os rumores internos, deve parar de ser gravado em algumas semanas.

O Manos e Minas, um dos poucos programas na televisão brasileira que retratava o universo do jovem da periferia, já parou de ser gravado. No dia 5, uma movimentação no twitter com a tag  #salveomanoseminas ficou no trending topics Brasil, ou seja, foi uma das mais citadas na rede social do País. Diante dos protestos, estão sendo colhidas assinaturas para um abaixo assinado contra o fim do programa (veja mais informações). A equipe continua indo na emissora, pois o contrato ainda não acabou, mas não sabe o que fazer. Para piorar, dos 18 funcionários, 17 são contratados pela fraude dos PJs e estão em situação super instável.

Sayad pegou os trabalhadores que de fato constroem a grade da emissora em dois pontos sensíveis: a autoestima e o emprego. Em assembléia em frente à emissora no dia 9 de agosto, muitos deles defendiam a qualidade da programação e aquilo que deveria ser a essência de uma TV pública. O deputado federal Ivan Valente (PSOL) esteve lá conversando com os funcionários e disse que “onde há fumaça, há fogo”, classificando a reestruturação como um ataque a lógica do que deve ser uma emissora pública e uma ameaça ao emprego e dignidade dos trabalhadores.

Outra assembléia aconteceu no dia 12 de agosto, na praça em frente às instalações da Cultura, em São Paulo. O Sindicato dos Radialistas de São Paulo e o dos Jornalistas devem realizar assembléias todas as quintas-feiras para tentar frear as demissões. A idéia é conseguir uma liminar na justiça que impeça qualquer corte enquanto a situação está em debate.

Segundo a direção informou às lideranças sindicais, há hoje na Cultura 2.150 funcionários, sendo 880 contratados pelo esquema de PJs. Alguns funcionários relataram, ainda na assembléia, que trabalham como cooperados. Desse total, cerca de 450 funcionários da Cultura estão atuando na TV Justiça e TV Assembleia e estão com os contratos para vencer – correndo sério risco de perder seus empregos. Os números não são exatos, nem oficiais e há muito pouca transparência nesse sentido.

A TV cultura não pertence ao Governo, mas sim ao público de São Paulo, ou seja, a sociedade civil. Ela deveria ser supervisionada pelo Conselho Curador, que infelizmente atua mais ratificando os desmandos tucanos do que supervisionando de fato se a concessão está servindo ao interesse público.

É pública
A grosso modo, o patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e do privado. O termo foi muito usado para qualificar as monarquias do absolutismo. Pois em São Paulo, alguns monarcas tucanos parecem possuir tal qualidade. Quando não privatizam diretamente, se apropriam do público para atender aos interesses privados dos grupos próximos da sigla. Isto acontece na educação, na saúde, nos transportes e até na coleta de lixo. E acontece também na comunicação.

A TV Cultura é uma rede pública e não estatal. Mas, não atua como tal. Não deveria servir ao governo do Estado, muito menos a mandatos específicos, mas na prática a coisa se complica. Ser pública significa que a vontade da sociedade civil deveria ser consultada antes de qualquer mudança estrutural. Funciona ali a mesma lógica que torna o Brasil um campo de batalha pela democratização das comunicações, onde a mídia é um dos mais fortes aparelhos privados de hegemonia ideológica.

O sistema de comunicações brasileiro é uma “herança maldita” da ditadura militar, que funciona via incentivo estatal ao desenvolvimento do capital privado. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso, do mesmo PSDB, promoveu a maior privatização na área e rifou o Sistema Telebrás.

E o governo Lula não mudou este modelo. Os meios de comunicação seguem centrados nas mãos de poucos grupos e as concessões públicas de televisão vencidas foram renovadas automaticamente, sem nenhum debate com a população. A nomeação de Hélio Costa (PMDB), conhecido no movimento pela democratização como "o ministro da Globo", é emblemática.

Desenvolver uma verdadeira TV pública no Brasil implicaria numa concepção realmente pública de radiodifusão, subordinada então ao controle público (não só estatal, mas também da população) e não à lógica comercial. Deveria conter uma programação interessante e de qualidade que representasse a diversidade cultural e regional do País.

Para isto, seria necessário termos o controle social da mídia, que poderia funcionar, por exemplo, por meio de conselhos onde a população e o os trabalhadores de uma emissora pudessem estar devidamente representados. Mas a pequena parcela que senta em cima da comunicação brasileira atualmente não abre espaço para este debate. Quando se fala em democratização pelo controle social logo gritam – censura! E fim de papo.

Débora Prado é jornalista
This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it

Fonte: caros amigos

 

Voto não tem preço, tem consequência

Artigo do deputado Padre Ferreira (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 06.08.2010.
* Padre Ferreira é deputado estadual pelo PSDB (ww.padreferreira.com.br / twitter.com/depferreira)



A criação do movimento em favor da aprovação do projeto Ficha Limpa pelo Congresso Nacional mostrou que a população brasileira está realmente empenhada em dar um basta nos maus políticos. Foram 1,6 milhão de assinaturas  com um único pedido aos nossos governantes e legisladores: um novo tempo na política.

A nova lei ajuda a depurar a política, pois quem já recebeu condenação pela Justiça está impedido de se candidatar ou até tentar a reeleição. Os próprios Tribunais Regionais Eleitorais nos Estados estão incumbidos de frear estas candidaturas. Em Goiás e no resto do País centenas de pessoas estão inabilitadas.

O Ficha Limpa é um avanço muito grande, bem como a vigilância diária da imprensa em torno da administração pública. Jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e até mesmo sites da internet ajudam a colocar freios em quem pensa em se locupletar com dinheiro público. O cidadão desonesto fica mais receoso em cometer crimes contra o patrimônio público.

Temos ainda as campanhas da sociedade organizada, como as realizadas pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que sempre dispensam atenção especial à política em anos eleitorais. Isto sem falar em ONGs e sites como o Transparência Brasil, que ficam de olho nos gastos públicos irresponsáveis pelo País afora.

Porém, mesmo com tanto auxílio, o eleitor precisa se mostrar bastante atento. Só olhar se o cidadão tem ficha limpa ou nunca tenha saído de maneira negativa na mídia é pouco para lhe confiar o voto. O eleitor tem de observar o passado de cada um, sua história política, a vida familiar, o que ele tem de propostas, a visão de futuro.

Um político necessita estar preparado e ter conduta ilibada para ocupar cargo público. Afinal de contas, ele vai te representar por no mínimo quatro anos - no caso de senadores, serão oito anos. Portanto, em caso de arrependimento do eleitor, podem ser longos anos de sofrimento. Então, para não chorar sobre o leite derramado, é bom segurar bem o pirex.

Conheça bem seu futuro representante político, seja ele candidato a deputado, senador, governador e até presidente da República. Verifique seus antecedentes, qual a contribuição que ele já deu ao País, Estado ou município, ou até mesmo para o seu bairro. Cheque de fato se ele é um cidadão de bem comprometido com os valores da sociedade moderna.

Não tenha medo ou receio de perguntar. Faça questionamentos cara a cara, olho no olho, sem preocupações se ele vai gostar ou não. Confiar um voto é o mesmo que depositar confiança e a gente não faz isso com qualquer pessoa.

Político sério, honesto e correto precisa estabelecer compromissos de verdade. E o eleitor precisa cobrar isso dele. Cobranças estas que podem ser feitas pessoalmente, pelo telefone, por carta, e-mail. Mas tem de ser cobrado. Ele tem de saber que não pode abandonar ou trair seu eleitorado.
Tem de justificar seus votos.

Eleição também não é brincadeira. É uma chance de dar novos rumos à política brasileira. Vejo, pelos lugares que ando, que a classe política é mal-vista, justamente pelas poucas laranjas podres que estão em nosso meio. Em 3 de outubro, porém, temos a chance de só colocar laranjas boas no cesto.

Mudar a política não é tarefa difícil, basta seu voto. Votar com consciência é obrigação de todos nós. Por isso não venda ou negocie seu voto, pois isso terá consequências graves no futuro. E espalhe a mensagem de que é preciso votar com consciência. Só assim vamos dar mais um passo rumo a uma mudança de verdade na política.


Last Updated (Friday, 06 August 2010 11:16)

 
More Articles...

Índices de Inflação

As mais recentes notícias da cidade de Goiás e região por tópicos

Tempo Agora
Últimas Notícias
Banner
Enquete
Goiás está mais carente em qual das seguintes áreas?
 
Dicionário

Internautas
Espaço dos internautas conectados. Comentários enviados ao sitedegoias.
Banner
Clique aqui e veja como deixar o seu
Newsletter

Envie seu email e receba nossos informativos.







Acessos